uma de minhas fotógrafas favoritas, a americana Francesca Woodman cometeu suicídio aos 22 anos, em 1981. a maneira como expunha seu corpo e o fotografava sempre me despertaram certa angústia. tudo em seu trabalho parece ser um coágulo indissolúvel, algo encalacrado no que poderia ser a dor de se estar viva. Francesca, em suas fotografias, sempre me passa essa impressão de que viver _sua vida_ dói, de que suas sombras têm uma espessura de lacuna. e se lançar da janela de seu apartamento em Nova York foi uma espécie de cura para o que parecia vir do lugar de uma melancolia.
aqui o crítico de arte Fernando Castro Florez fala um pouco dela:
aqui tem um vídeo com um pout-pourri de suas fotografias em P&B:
onde descobri Francesca? em “Antes da Queda”, um dos espetáculos de dança contemporânea mais marcantes da minha vida. lembro de sair aos prantos, soluçando, de tão emocionada que fiquei com a dança e todo o corpo de Juliana Moraes, a bailarina e coreógrafa da Cia. Perdida. inspirada no trabalho da fotógrafa, Juliana deu vida a cada uma das imagens com um trabalho minucioso de corpo; cada movimento, cada tensionada de dedos dos pés e das mãos, cada queda, cada farfalhar de cabelos, cada esboço de corpo sobre corpo sobre móvel, cada colisão, cada cena… era emocionante. de perder o fôlego, sobretudo com a trilha sonora minimalista assinada por Jonas Tatit.
palhinha:
este ano o diretor Scott Willis fez um documentário sobre a família de Francesca, “The Woodmans”. pode ser visto na íntegra aqui. [valeu Luluzinha :~]
para quem estiver na Califórnia, rs, Francesca estará em exposição até 20 de fevereiro no SFMOMA.
isso tudo me lembra o primeiro vestibular. minha primeira opção era para o curso de Comunicação e Artes do Corpo, na PUC_SP {eu até passei, mas morava muito longe e ninguém deixou que me mudasse sozinha para a cidade grande. anos depois vejo que não adiantou nada: a busca permanece a mesma e eu já troquei duas vezes de cidade grande. rs}.